Gostas de um colega de trabalho comprometido? O que fazer
Entrada n.º 109 ·

Por A Equipa IF
Ter uma paixoneta por um colega de trabalho que tem namorada, namorado, marido ou mulher é comum, e não faz de ti má pessoa. É um sentimento honesto, e não tens nada de que te envergonhar. O que fazer é mais simples do que parece: guarda-o para ti, mantém-te caloroso e profissional, corta discretamente os momentos a sós que o alimentam e recusa o papel de confidente. Declarares-te em pleno escritório poria em risco o teu emprego e a relação dessa pessoa, mas guardar isto para ti no trabalho não significa deixá-lo por dizer: um IF guarda-o numa mensagem selada que espera até estarem os dois solteiros.
O que torna isto mais difícil do que uma paixoneta qualquer é a segunda-feira de manhã. Não podes silenciar um colega como silencias um ex. Partilham as mesmas reuniões, a mesma cozinha e as mesmas chefias, por isso cada escolha tem três coisas em jogo: o teu emprego, a relação dessa pessoa e a tua paz no dia a dia. Este guia protege as três e mantém uma linha do princípio ao fim: trair é errado, e mentir também. Tudo o que fica aquém disso é decisão tua. Para uma visão mais ampla, para lá do escritório, começa pelas tuas verdadeiras opções quando gostas de alguém comprometido.
Porque é que isto acontece no trabalho
Se te perguntas como chegaste aqui, a resposta honesta é a proximidade. Num inquérito de 2020 da SHRM, a associação norte-americana de profissionais de recursos humanos, 54% dos trabalhadores dos Estados Unidos disseram já ter tido uma paixoneta por um colega. Numa série de experiências, pares de desconhecidos que conversavam durante mais tempo gostavam mais um do outro, em parte porque se sentiam mais compreendidos e mais à vontade. O trabalho faz essa experiência contigo todos os dias, durante anos.
O trabalho também te mostra uma versão favorecedora de uma pessoa. Vês essa pessoa calma perante um prazo, generosa numa reunião, a lembrar-se de como gostas do teu chá. Não a vês em casa, cansada e de mau humor por causa da loiça por lavar. Junta-lhe o stress partilhado e as piadas internas, e a paixoneta quase se constrói sozinha. Nada disso a torna menos real. Torna-te humano, e significa que passas muitas horas no mesmo edifício.
Baixa o volume, não a simpatia
Não precisas de ficar frio com essa pessoa. Uma frieza repentina dá tanto nas vistas como um flirt. O objetivo é uma simpatia normal, sem aquela carga. Um teste simples para qualquer momento entre vocês: ficarias à vontade se a cara-metade dessa pessoa, o teu chefe e o teu melhor amigo vissem tudo ao mesmo tempo? Se não, é essa parte que tens de largar.
- Guarda os momentos a sós para o trabalho: reuniões com ordem de trabalhos, não almoços longos a dois nem copos depois de toda a gente já ter ido para casa.
- Que o chat do trabalho seja sobre trabalho. Deixa que as mensagens a altas horas e as piadas em conversas à parte se calem.
- Deixa de te oferecer para tudo aquilo em que essa pessoa participa. Se um projeto vos fosse pôr lado a lado durante meses, não há problema em deixar outra pessoa ficar com ele.
- Silencia essa pessoa nas redes sociais durante uns tempos. Já a vês o suficiente no trabalho.
- Não te ponhas a investigar a relação dessa pessoa, nem através de colegas nem nos registos de pessoal. O que não te contaram não te cabe a ti descobrir.
Recusa o papel de confidente
Se essa pessoa começar a contar-te problemas de casa, não tens de ser tu a ouvi-los. Ela não está a fazer nada de mal ao desabafar, mas um “se calhar não sou a pessoa certa para isto” é simpático, honesto e, no trabalho, sensato. Tornares-te o colega que a compreende melhor do que a própria cara-metade é exatamente o caminho pelo qual uma paixoneta se transforma em algo que nenhum dos dois pretendia.
Conhece a cara-metade como pessoa
Se a cara-metade aparecer na festa de verão, cumprimenta-a como deve ser. É muito mais difícil romantizar uma relação depois de veres duas pessoas de carne e osso a partilhar uma taça de batatas fritas e a discutir por causa do último comboio para casa.
Devolve as tuas noites à tua própria vida
Não como distração, nem para fazer ciúmes a ninguém. Os amigos, aquele curso que andas sempre a dizer que vais fazer e os fins de semana que continuas a prometer a ti próprio encolhem a parte da tua vida que acontece numa secretária. Depois de o dizeres num IF, é ainda mais fácil: o sentimento fica à espera num lugar seguro.
Porque é que uma declaração no trabalho é a forma mais arriscada de o dizer
Podes dizer-lhe, e a honestidade emocional é corajosa. Mas no trabalho os riscos são maiores do que em qualquer outro lado. Uma declaração pede a um colega comprometido que gira os teus sentimentos dentro de uma relação que escolheu e que depois se sente à tua frente na reunião de equipa de terça-feira. Não há volta a dar, e no trabalho pode ser sentida como pressão, seja qual for a tua intenção. Pesamos os raros momentos em que vale a pena dizê-lo em voz alta em se deves dizer a alguém comprometido que gostas dessa pessoa.
Com um colega, há uma forma melhor de ser corajoso. Um IF diz exatamente o que sentes numa mensagem privada e selada que só se abre se um dia estiverem os dois solteiros. Não lhe pede nada no trabalho e, se um dia o momento for o certo, já lá estás, pronto para mostrar a essa pessoa o quanto sempre gostaste dela.
Quando a química parece mútua
“Ele tem namorada, mas temos química.” “Ela tem namorado, mas é óbvio que há ali qualquer coisa.” Pode ser verdade. Mas o trabalho também fabrica química: prazos partilhados, um inimigo comum no relatório mensal. E brincadeira não é declaração.
Se um colega comprometido parece mesmo estar a flirtar contigo — fica depois das reuniões, manda mensagens tarde, desabafa que as coisas em casa não estão bem —, isso pode querer dizer alguma coisa, ou não. Não faz dele má pessoa, nem torna errada a faísca entre vocês. Se fica ou não na relação é decisão dele, tomada ao seu ritmo. Entretanto, mantém tudo honesto: nada de copos que não mencionarias, nada de mensagens que quererias apagar. Passar essa linha no trabalho continua a ser traição: põe em risco a relação dele e pelo menos dois empregos, e as equipas costumam reparar muito antes de alguém dizer uma palavra.
Se queres fazer alguma coisa com essa química, um IF é a versão honesta. No IF não pode haver Like, match nem chat enquanto um de vocês estiver numa relação, por isso nunca se pode transformar numa relação secreta. Simplesmente espera e, se um dia estiverem os dois solteiros, podes mostrar que a química foi real desde o início.
Sentimentos por um colega casado
O casamento não muda as regras, mas aumenta o que está em jogo: uma casa partilhada, muitas vezes filhos, duas famílias e muito mais pessoas que sairiam magoadas. Também costuma vir com uma história mais longa: anos lado a lado, uma fase difícil que acompanhaste de perto e, um dia, a perceção de que isto já não é uma paixoneta. Se estás apaixonado pelo teu colega casado, isso dói e é real, e não tens nada de que te envergonhar. Só não é algo para viver nas costas de ninguém.
Mantém as mesmas linhas, com ainda mais firmeza: nada de declarações em pleno escritório, nada de canais privados, nada de encontros depois do trabalho que parecessem outra coisa se o marido ou a mulher entrasse. Um IF di-lo sem pedir nada agora: fica selado enquanto um de vocês estiver numa relação, e nenhuma conversa se pode abrir até estarem os dois solteiros. Se o sentimento te está a consumir o dia de trabalho, mudar de equipa, ou até de emprego, não é fugir. É escolher a tua paz, e um IF que já enviaste continua à espera, trabalhe cada um onde trabalhar. Se as coisas já foram além de uma paixoneta, o nosso guia sobre estar apaixonado por um homem ou uma mulher casados foi escrito para esse ajuste de contas.
E se tu próprio estiveres numa relação, podes dizê-lo na mesma num IF — simplesmente espera até estarem os dois solteiros —, e o guia sobre paixonetas no trabalho quando também tens uma relação trata do resto.
Quando um de vocês chefia o outro
Uma relação hierárquica muda o que está em jogo. Uma revisão da investigação sobre romances no local de trabalho defende que o poder é a chave para perceber quando estas relações fazem mal, e o CIPD, a associação profissional de recursos humanos do Reino Unido, nota que os riscos podem ser maiores quando a relação é entre uma chefia e um funcionário mais júnior. Nem mesmo os sentimentos mútuos são vividos em pé de igualdade quando uma pessoa influencia o salário, os projetos e as perspetivas da outra.
Também vale a pena ler a política da tua empresa sobre relações no trabalho. Muitas pedem que os trabalhadores comuniquem uma relação dentro da mesma linha hierárquica, e algumas proíbem-na de todo. Uma paixoneta não precisa de ser comunicada, mas conhecer as regras mostra-te onde fica a linha.
Uma paixoneta pelo teu chefe casado
As paixonetas por um chefe vêm muitas vezes misturadas com admiração, gratidão e a vontade de ser notado por alguém cuja opinião molda o teu futuro. Isso não torna o sentimento falso, mas vale a pena desembaraçá-lo: é essa pessoa que queres, ou a aprovação dela? Faz um excelente trabalho pelo próprio trabalho, procura mentores para além de uma só pessoa e mantém a relação estritamente profissional. Tudo o que dissemos sobre um colega casado aplica-se aqui também, e o peso dessa pessoa na tua carreira torna uma declaração ainda mais arriscada. Se mesmo assim quiseres dizê-lo, um IF mantém isso fora da vossa relação de trabalho: fica selado enquanto um de vocês estiver marcado como numa relação.
Se for o teu chefe a flirtar — mensagens tarde, sugestões de copos a dois —, não tens de corresponder, sintas o que sentires. O poder que tem sobre o teu trabalho faz com que qualquer pressão seja responsabilidade dele, não tua. Se a atenção não for bem-vinda, aponta o que aconteceu e quando, e fala com os recursos humanos ou com um representante sindical.
Alguém que chefias
Se gostas de alguém que chefias, mantém todas as linhas no trabalho. Nunca flirtes, nunca dês indiretas, nunca te declares: essa pessoa teria de pesar o emprego contra a resposta, e ninguém devia ser posto perante essa escolha. Um IF não lhe pede nada enquanto um de vocês estiver numa relação, mas sê honesto quanto à diferença de poder. Se estiveres solteiro e o momento chegar enquanto ainda a chefias, podes deixar o IF caducar em vez de o revelar, porque uma revelação vinda da própria chefia pô-la-ia perante essa mesma escolha. Se alguma vez o sentimento influenciar uma decisão sobre o trabalho dessa pessoa, afasta-te dessa decisão.
Quando o sentimento não passa
Para a maioria das pessoas, uma paixoneta no trabalho vai esmorecendo com o tempo, uma vida cheia e alguma distância. Se a tua não esmorece — se planeias o dia em função de ver essa pessoa, relês as mensagens dela ou tens dificuldade em concentrar-te —, pode ter-se tornado algo mais pesado. Isso não é um defeito de carácter, e não tens de lidar com isto sozinho: fala com alguém.
E se preferires seguir em frente, também é válido, e não tem de significar ficar por dizer: podes enviar um IF, pousar o sentimento e seguir com a tua vida, sabendo que está lá se um dia o momento mudar.
Onde entra o IF
Uma paixoneta no trabalho é difícil, em parte, porque não há onde pôr o sentimento. Carrega-lo em cada reunião, cada ida ao café e cada copo de sexta-feira, e a pessoa em causa está sentada a poucas secretárias de distância. O IF dá-lhe um sítio para onde ir. É uma app de encontros para toda a gente, solteira ou numa relação, construída sobre uma ideia: deves poder dizer o que sentes, seja qual for o momento. Duas pessoas solteiras usam-na como qualquer app de encontros: um Like, depois de aceite, abre um chat. Enquanto um de vocês estiver marcado como numa relação, nenhum chat se pode abrir, por isso nada no IF se pode tornar um segredo entre vocês. Mas continuas a poder dizer o que sentes.
Declarares-te abertamente a um colega seria irresponsável, uma aposta com duas carreiras. Se te sentires à vontade, um IF é a versão responsável da mesma coragem: uma mensagem privada e selada de até 250 caracteres que só se revela quando estiverem os dois solteiros. Se fores solteiro, fica selado enquanto a outra pessoa estiver marcada como numa relação. Se ela ficar solteira enquanto tu ainda estás solteiro, tens 24 horas para o revelar, ou podes deixá-lo caducar e ficar escondido para sempre, se o momento no trabalho ainda não for o certo. Se o revelares, a outra pessoa escolhe se aceita, e aceitar abre um chat com o teu IF como primeira mensagem. Estares numa relação também não te deixa de fora: o teu IF revela-se quando te marcas como solteiro, desde que a outra pessoa também esteja solteira.
Mas atenção ao lado profissional. Se essa pessoa estiver no IF, normalmente vai ser avisada de que tem um IF à espera — nunca de quem o enviou nem do que diz —, mas num escritório as pessoas podem adivinhar pelo contexto. Usa só dados pessoais que essa pessoa tenha escolhido dar-te, nunca um email do trabalho: um IF enviado para o email de alguém que não está no IF dá origem a um único email curto de convite, e a caixa de correio do trabalho pertence à empresa. Um IF enviado para um número de telemóvel ou para uma conta de Instagram não envia nada: simplesmente fica à espera, caso essa pessoa adira. Retirar um IF ainda não revelado é uma funcionalidade paga; tens os detalhes em Subscrição. E se um dia se abrir, uma relação com um colega tem os seus próprios riscos — a política da empresa, uma linha hierárquica, uma equipa que repara —, por isso vale a pena conhecer as regras antes de esse dia chegar. A escolha é tua.
O teu primeiro IF é grátis, e como enviar o IF perfeito ajuda-te a encontrar as palavras. Depois, é ele que espera: dizes uma vez, com cada palavra sentida, e segues com a tua vida. Se um dia o momento for o certo, pode levar-te exatamente aonde sempre devias ter estado.
Perguntas frequentes
É errado ter uma paixoneta por um colega casado?
Não. Um sentimento não é uma decisão, e trabalhar de perto com alguém torna-o mais provável. O que importa é o que fazes: mantém o profissionalismo, evita momentos a sós que parecessem outra coisa se o marido ou a mulher visse, e nunca deixes que se torne traição ou mentira. E se quiseres que essa pessoa saiba um dia, um IF pode guardá-lo até estarem os dois solteiros.
Como deixo de gostar de um colega comprometido?
Raramente se desliga um sentimento, mas podes deixar de o alimentar. Corta os momentos a sós e as mensagens a altas horas, silencia essa pessoa fora do trabalho e põe a tua energia nos amigos e nos teus próprios planos. Dizê-lo uma vez num IF pode ser o que finalmente o deixa descansar. Se não esmorecer, fala com alguém.
O meu colega tem namorada, mas flirta comigo. O que faço?
Mantém as respostas simpáticas e profissionais, e não deixes que se torne algo que precisarias de esconder. Pode querer dizer alguma coisa ou nada, e cabe-lhe a ele gerir a relação com honestidade. Se quiseres que ele saiba o que sentes sem trazer isso para o trabalho, um IF espera, selado, até estarem os dois solteiros. Se a atenção não for bem-vinda ou não parar, fala com os recursos humanos.
E se o meu colega ficar solteiro?
Se lhe enviaste um IF enquanto ele estava comprometido e continuas solteiro, este é o momento por que o teu IF esperava, e respeita o espaço de que o teu colega precisa: quando ele se marcar como solteiro, tens 24 horas para revelar o IF ou deixá-lo caducar, e ele escolhe, ao seu ritmo, se aceita. Se não enviaste, dá tempo ao tempo. Quem acabou de sair de uma relação precisa de espaço, e um colega tem de poder dizer que não sem que isso o persiga no trabalho. Quando chegar a altura certa, trata o assunto como convidarias qualquer colega para sair: uma vez, sem peso, fora do trabalho, e nunca enquanto um de vocês chefiar o outro. O nosso guia sobre namorar um colega de trabalho explica como.
Posso ter problemas por gostar de um colega?
Um sentimento não é má conduta. O que leva uma empresa a agir é o comportamento: assédio, favoritismo ou uma relação que viole a política dela, sobretudo dentro de uma linha hierárquica. Lê a política da tua empresa e mantém a tua conduta tão profissional como as tuas intenções.
Pessoa certa, momento errado? Mantém a segunda-feira profissional, diz o que sentes num IF e deixa-o esperar até estarem os dois solteiros.