A psicologia da atração: por que você gosta de quem gosta
Entrada nº 174 ·

Por Time do IF
Por que você se sente atraído por algumas pessoas e não por outras? Em grande parte, por forças que agem em silêncio, muito antes de você perceber uma paixonite. Você costuma se apaixonar por quem cruza seu caminho com frequência (proximidade e familiaridade), por quem parece com você (semelhança), por quem parece gostar de você em particular (reciprocidade) e, de vez em quando, por quem te deixa na dúvida (incerteza). A aparência importa mais à primeira vista e importa menos quanto mais duas pessoas se conhecem. E a atração entre duas pessoas específicas, aquilo que todo mundo chama de química, é muito mais difícil de prever do que qualquer lista de características.
Repare onde quase todas essas forças atuam: na vida real. A atração cresce em salas de aula e escritórios, em grupos de amigos e no mesmo trem da manhã, e não confere o status de relacionamento de ninguém antes de chegar. Foi por isso que criamos o IF, que permite a qualquer pessoa, solteira ou em um relacionamento, ser honesta sobre por quem tem sentimentos, seja quem for. O sentimento pode começar em qualquer lugar — num seminário, na cozinha de uma festa, na fila do café — e o IF o guarda até o momento certo de agir. Tem mais sobre como isso funciona no final. Primeiro, a psicologia.
Proximidade: você se apaixona por quem está perto
A força mais subestimada da atração é a geografia. Num estudo clássico sobre um conjunto habitacional estudantil do MIT, amizades se formavam muito mais entre vizinhos próximos do que entre pessoas a algumas portas de distância, e a planta do lugar também importava: moradores que viviam no pé de uma escada movimentada faziam mais amigos, simplesmente porque mais gente passava pela porta deles. Os pesquisadores chamaram isso de distância física e funcional, e o efeito de proximidade que ele descreve é um dos achados mais sólidos no estudo das relações.
A proximidade funciona porque fornece a matéria-prima da atração: oportunidades de conversar, pequenos momentos compartilhados e, acima de tudo, repetição. Hoje o corredor pode ser um escritório aberto, um time de futebol society ou um grupo de mensagens, mas o princípio não mudou. Você não se apaixona por quem nunca encontra, e tem uma chance discretamente maior de se apaixonar por quem encontra o tempo todo.
Familiaridade: quanto mais você vê, mais gosta
A repetição tem um efeito próprio. Os psicólogos chamam de efeito de mera exposição: quanto mais vezes você encontra algo, mais tende a gostar dele, mesmo quando nada mais acontece entre vocês. Um rosto que você já viu uma dúzia de vezes parece mais acolhedor do que um que viu duas. A familiaridade chega até a virar uma sensação de afinidade: num estudo, as pessoas avaliaram aquelas que tinham visto com mais frequência como mais simpáticas e mais parecidas consigo mesmas.
Mas tem limites. Mais exposição tende a aprofundar a impressão que você já tem, então ajuda mais quando a primeira foi boa, e repetir demais a mesma coisa pode cair no tédio. Nosso guia sobre o efeito de mera exposição cobre a pesquisa, e também os casos em que a familiaridade gera desprezo, em detalhes.
Semelhança: você se atrai por quem parece com você
O senso comum diz que os opostos se atraem. A pesquisa diz, em grande parte, o contrário: as pessoas tendem a se atrair por, e a acabar com, parceiros que compartilham seus valores, crenças, hábitos e senso de humor. O que parece importar mais não é ser parecido no papel, mas se sentir parecido — rir das mesmas coisas, se importar com as mesmas coisas, se sentir compreendido sem precisar se explicar. Se a diferença alguma vez ajuda, e as poucas formas como pode, está em nosso guia sobre se os opostos se atraem.
A semelhança também explica um padrão que muita gente nota em si mesma: uma sequência de parceiros que se parecem, falam ou se comportam de forma parecida. Se você vive se apaixonando pelo mesmo tipo de pessoa, por que você tem um tipo examina do que esse padrão é feito, e se ele está te fazendo bem.
Reciprocidade: você gosta de quem gosta de você — especificamente
Poucas coisas são tão atraentes quanto ser querido. Descobrir que alguém se interessa por você tende a fazer você se interessar mais por essa pessoa, e é por isso que um elogio caloroso e específico pode mudar como você vê alguém da noite para o dia. Mas tem uma reviravolta. Num estudo de speed dating, as pessoas tendiam a ser desejadas de volta quando o interesse delas era específico por uma pessoa, enquanto quem estava a fim de quase todo mundo na sala era menos desejado. O interesse funciona quando parece escolhido: não que a pessoa goste de gente, mas que goste de você.
A intimidade cresce de forma parecida. Abertura gradual e mútua — cada um revelando um pouco mais, e recebendo a abertura do outro com carinho — é um dos caminhos mais confiáveis da convivência à intimidade. É a ideia por trás de 36 perguntas para se apaixonar, o estudo famoso em que duplas de desconhecidos se revezavam fazendo perguntas cada vez mais pessoais.
Incerteza: por que não saber pode te atrair
Ser querido é atraente. Não saber se você é querido pode, por um tempo, ser ainda mais. Num experimento, estudantes viram os perfis de pessoas que supostamente já tinham visto os deles. Quem foi informado de que não estava claro o quanto a outra pessoa gostava dele pensava mais nessa pessoa e acabava mais atraído do que quem foi informado de que era muito querido.
A incerteza mantém alguém na sua cabeça — nos devaneios, nas conversas que você repassa no ônibus, às vezes até nos seus sonhos — e uma mente que volta sempre a alguém começa a ler esse hábito como sentimento. É parte do motivo pelo qual a história de inimigos que viram amantes prende tanta gente: o atrito e o não-saber fazem cada pequena gentileza pesar em dobro. O detalhe é que a força da incerteza é um puxão, não um veredito. Ela diz que alguém tem sua atenção. Não diz que essa pessoa é boa para você.
A escolha dos outros: por que quem está comprometido pode parecer magnético
A atração também é social. As pessoas podem achar alguém mais atraente depois de ver que outra pessoa já o escolheu, uma tendência que os pesquisadores chamam de cópia de escolha de parceiro. É uma das razões pelas quais alguém num relacionamento feliz pode parecer irradiar, e uma das razões pelas quais todos os bons parecem estar comprometidos. Nada disso faz de você alguém estranho ou desleal. Seu cérebro social está usando o julgamento dos outros como pista, do mesmo jeito que faz com restaurantes e filmes.
Sentir atração por alguém que está com outra pessoa não é traição a ninguém. Agir em segredo seria, porque isso é traição, e geralmente exige mentira para se manter. Notar o sentimento, dar nome a ele, até contar para alguém: isso é você quem decide como lidar.
Aparência: importa mais antes de você conhecer alguém
A atração física importa, principalmente no começo. Quando desconhecidos se encontram brevemente, o quanto se acham atraentes está sempre entre os preditores mais fortes de quem quer se ver de novo, e o choque que as pessoas chamam de amor à primeira vista tem a ver, em grande parte, com aparência.
Mas a aparência conta menos quanto mais tempo as pessoas se conhecem. Casais que se conheciam havia um tempo antes de ficarem juntos tendem a ser menos parecidos em atratividade do que casais que começaram a namorar logo depois de se conhecer. À medida que as pessoas se conhecem, os julgamentos sobre quem é desejável se dispersam: o comum de uma pessoa é o rosto favorito de outra, e humor, gentileza e o jeito particular como alguém trata você passam a pesar mais do que o primeiro olhar. É o melhor argumento que existe contra a ideia de que alguém está fora do seu nível.
Química: a parte que ninguém consegue prever
Junte tudo o que está acima e dá para prever bastante sobre quem vai ser querido por muita gente. O que ninguém conseguiu prever é quem vai gostar de quem. Mesmo com medidas detalhadas de personalidade e preferência coletadas antes de as pessoas se conhecerem, os pesquisadores não conseguiram dizer quais pares específicos dariam certo. Essa parte imprevisível é o que a maioria das pessoas chama de química.
A química vale algo, mas não é a história toda, e ajuda saber como a química difere da compatibilidade, porque as duas fazem trabalhos diferentes. A química física é um fio disso, e o quanto a compatibilidade sexual importa — e o quanto dela é construída em vez de encontrada — tem um guia próprio.
O que a atração faz com seu corpo e sua mente
Seja como for que comece, a atração se anuncia fisicamente: o coração acelerado, o rosto quente, a frase que sai na ordem errada. O nervosismo não é sinal de que algo está errado, só de que algo importa, e ficar nervoso perto da sua paixonite é uma das experiências mais comuns que existem. A atração também ocupa a mente — a frase repassada, a olhada no celular — e é por isso que pode parecer algo que acontece com você, e não algo que você escolheu.
Vale lembrar disso sempre que um sentimento chega numa hora esquisita. Você não decidiu se atrair pelo seu colega de trabalho, pela pessoa que divide apartamento com seu amigo ou pela pessoa que já está comprometida. A proximidade, a familiaridade e uma dúzia de pequenas gentilezas decidiram por você. A única decisão de verdade é o que fazer depois.
Onde o IF entra: a atração cresce onde você vive
Releia a lista e uma coisa salta aos olhos: quase toda força por trás da atração é local e lenta. Proximidade, repetição, uma piada interna, a sensação de ser escolhido — tudo isso se constrói ao longo de semanas no trabalho, na faculdade, entre amigos, e não presta atenção nenhuma ao timing. Então a pessoa por quem você se apaixona pode estar solteira e já no IF. Pode ser alguém que você só conhece na vida real. Ou pode estar num relacionamento, como você talvez esteja.
O IF foi feito para os três casos. Quando vocês dois estão solteiros e a pessoa tem um perfil, o movimento é um Like, e um chat abre se ela aceitar. Quando um dos dois está comprometido, ou a pessoa ainda não entrou, o movimento é um IF, que chega lacrado e guarda até 250 caracteres. Você pode chegar até ela pelo Swipe, ou encontrá-la na Busca com o @ do Instagram, o número ou o e-mail que ela compartilhou com você. O IF pode avisar que algo a espera; o remetente e as palavras ficam escondidos, a menos que ele seja revelado. Um IF enviado para um e-mail dispara um convite curto, enquanto um enviado para um número de telefone ou @ não envia nada: fica quietinho caso a pessoa entre algum dia.
Você poderia contar pessoalmente, e às vezes é o certo. Mas dizer em voz alta para alguém que está com outra pessoa, ou enquanto você está, coloca o peso em todo mundo de uma vez e não tem como desdizer. Um IF diz com a mesma honestidade e não pede nada a ninguém hoje, porque nada abre no IF — nenhum chat, nenhum match, nenhuma conversa — enquanto um dos dois estiver num relacionamento. Quando vocês dois estiverem solteiros, ele pode ser revelado, e aí a pessoa decide. Seu primeiro IF é grátis. A atração já fez o trabalho lento na vida real; o IF dá ao sentimento um lugar honesto para esperar enquanto o timing se acerta.
Perguntas que as pessoas fazem
Quais são os principais tipos de atração?
Costuma-se distinguir vários. A atração física ou estética é achar alguém bonito de se olhar; a atração romântica é querer um relacionamento com a pessoa; a atração sexual é o desejo; a atração emocional é querer proximidade e ser compreendido; a atração intelectual é se sentir atraído pelo jeito de pensar de alguém. Elas costumam vir juntas, mas nem sempre: dá para admirar o rosto de alguém sem querer namorar, ou se apaixonar pela mente de alguém muito antes de qualquer outra coisa.
A atração é uma escolha?
A primeira faísca, não. Exposição, semelhança e circunstância moldam a atração muito antes de você perceber, e é por isso que uma paixonite não é motivo para culpa. O que você escolhe é o que vem depois: se vai dizer algo, quando e com que honestidade. Se o timing está errado, uma escolha é um IF, escrito agora e aberto depois.
Por que me sinto atraído por alguém que mal conheço?
Porque as primeiras impressões se formam rápido e dependem muito de aparência, voz e jeito, e porque um pouco de mistério deixa espaço para a sua imaginação preencher o resto. Esse puxão inicial é real, mas é um convite para descobrir mais, não uma prova de nada. Conhecer a pessoa é o único jeito de saber se ele cresce.
Dá para se sentir atraído por alguém com o tempo?
Dá, e acontece o tempo todo. A familiaridade tende a aproximar as pessoas, e à medida que você descobre quem alguém é, o que te atrai passa a se voltar para humor, gentileza e o jeito como a pessoa faz você se sentir. Muitos casais foram amigos, colegas de trabalho ou de classe por meses ou anos antes de qualquer um dos dois sentir algo mais.
Você não escolhe por quem se apaixona, mas escolhe ser honesto sobre isso. Seja quem for, e por mais esquisito que seja o momento, diga num IF e deixe o timing chegar até você.